Mauá celebra fim de semana dedicado à inclusão e protagonismo PCD.

Mais do que marcar o calendário de conscientização, o último fim de semana em Mauá se transformou em um verdadeiro manifesto de pertencimento. Reunindo literatura, artes plásticas, música, esporte e cidadania, a segunda edição da FLIPED e a Expo Inclusiva tiraram a pessoa com deficiência do papel de espectadora e a colocaram no centro absoluto das atenções.
Para a secretária de Proteção e Defesa da Pessoa com Deficiência, Noeme Ferreira dos Santos, a proposta do evento vai muito além do entretenimento:
"Quando a gente cria esses espaços, não está apenas promovendo um evento. Está abrindo portas para que a pessoa com deficiência mostre quem ela é, o que sabe fazer, o que pensa e o que deseja. É sobre protagonismo, pertencimento e respeito."
Literatura que desafia rótulos
A programação teve início no sábado (26), na Pinacoteca Municipal, com uma forte imersão cultural. O espaço recebeu oficinas artísticas do Instituto Cida Dias, apresentações culturais e a exposição do artista plástico Leandro Almeida de Britto.
Um dos pontos altos foi a roda de conversa promovida pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, em parceria com a APAE. O debate contou com a participação de Sthenie, aluna da APAE, e de Mariana Santana Antiqueira (a Mari Antiqueira), autora do livro Um Pouco Mais que Diferente.
Em seu relato emocionante, Mari abordou um desafio cotidiano: a barreira invisível de ser enxergada primeiro pela deficiência e só depois pela própria identidade. A conversa defendeu uma premissa básica, mas urgente — ouvir e dar voz para que cada indivíduo seja o narrador da sua própria história.
O poder transformador da arte
A arte também abriu caminhos para reflexão e superação. O artista plástico Daniel Ferreira — formado pelas Facilidades Belas Artes de São Paulo e integrante da prestigiada Associação dos Pintores com a Boca e os Pés — conduziu uma oficina de pintura marcante. Para ele, o pincel foi a ferramenta de aceitação e autoconhecimento:
"A arte me salvou de muitas coisas. Primeiramente, de eu aceitar a minha deficiência, entender quem eu sou e o artista que eu me tornei."
Daniel reforça que a arte e o esporte funcionam como poderosas ferramentas de emancipação: “Se a pessoa se descobre como artista ou como atleta, aquilo vira um escape. A deficiência passa para o segundo plano”, pontua.
A festa da inclusão na quadra e nos estandes
No domingo (27), a energia mudou para o Parque da Juventude, onde a quadra virou palco de integração. O amistoso de basquete entre as equipes do Girafinhas e da APAE reuniu cerca de 30 atletas e seus familiares. Ali, o placar era o que menos importava: cada cesta era celebrada coletivamente, transformando a prática esportiva em um autêntico momento de convivência.
A Expo Inclusiva completou o final de semana com uma gama diversificada de atrações:
Cultura e Bem-estar: Oficinas de arte, massoterapia infantil e apresentação musical de Leonardo, aluno da APAE.
Empreendedorismo: Espaço dedicado a 12 mulheres empreendedoras expondo seus trabalhos.
Cidadania e Acessibilidade: Plantão de orientação jurídica da OAB, participação da Secretaria de Mulheres e suporte integral de intérpretes de Libras nos dois dias de evento.
O encerramento deixou claro que a inclusão verdadeira acontece no cotidiano: quando a comunidade cria, joga, empreende, canta e ocupa os espaços públicos de igual para igual.



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